Poliamor é um tipo de relação em que cada pessoa tem a liberdade de manter mais do que um relacionamento ao mesmo tempo. Não segue a monogamia como modelo de felicidade, o que não implica, porém, a promiscuidade. Não se trata de procurar obsessivamente novas relações pelo facto de ter essa possibilidade sempre em aberto, mas sim de viver naturalmente tendo essa liberdade em mente.

O Poliamor pressupõe uma total honestidade no seio da relação. Não se trata de enganar nem magoar ninguém. Tem como princípio que todas as pessoas envolvidas estão a par da situação e se sentem confortáveis com ela.

Difere de outras formas de não-monogamia pelo facto de aceitar a afetividade em relação a mais do que uma pessoa. Tal como o próprio nome indica, poliamor significa muitos amores, ou seja, a possibilidade de amar mais do que uma pessoa ao mesmo tempo. Chamar-lhe amor, paixão, desejo, atração, ou carinho, é apenas uma questão de terminologia. A ideia principal é admitir essa variedade de sentimentos que se desenvolvem em relação a várias pessoas, e que vão para além da mera relação sexual.

O Poliamor aceita como facto evidente que todas as pessoas têm sentimentos em relação a outras que as rodeiam. E isto não põe necessariamente em causa sentimentos ou relações anteriores.

O ciúme passa a ser questionável. Primeiro porque nenhuma relação está posta em causa pela mera existência de outra, mas sim pela sua própria capacidade de se manter ou não. Segundo, porque a principal causa do ciúme, a insegurança, pode ser eliminada, já que a abertura é total.

Não havendo consequências restritivas para um comportamento, deixa de haver razão para esconder seja o que for. Cada pessoa tem o domínio total da situação, e a liberdade para fazer escolhas a qualquer momento.

http://www.poliamor.pt/

O que você faria nessa situação?

“Nunca pensei que chegaria o dia de ter que fazer uma opção tão dolorosa. Há 23 anos amo tanto meu marido quanto meu amante! Só que meu amante vai para outro país assumir um cargo importante na empresa em que trabalha. Insiste para que eu tome coragem e vá com ele. O problema é que amo os dois e não gostaria de ter que abrir mão de um deles. São totalmente diferentes, mas cada um me completa de uma forma. Minha vida sexual é ótima; cada um é de um jeito, mas adoro fazer sexo com os dois. Não sei que atitude tomar.”

Depoimento real  retirado do blog da Regina Navarro Lins psicanalista e escritora,

Segue a analise da escritora Regina Navarro

Comentando a Pergunta da Semana

Sandra, professora universitária, 47 anos, casada há 26, me procurou no consultório. Abatida, relatou o difícil momento pelo qual está passando. “Nunca pensei que chegaria o dia de ter que fazer uma opção tão dolorosa.

Há 23 anos amo tanto meu marido quanto meu amante! Só que meu amante vai para outro país assumir um cargo importante na empresa em que trabalha. Insiste para que eu tome coragem e vá com ele. O problema é que amo os dois e não gostaria de ter que abrir mão de um deles.

São totalmente diferentes, mas cada um me completa de uma forma. Minha vida sexual é ótima; cada um é de um jeito, mas adoro fazer sexo com os dois. Não sei que atitude tomar.”

A maioria das pessoas, 78%, que respondeu à enquete da semana, declarou já ter amado mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Isso indica que o caso de Sandra é mais comum do que se pensa. Alguns internautas reforçaram essa ideia:

“Acho possível amar dois homens ao mesmo tempo. Continuo amando um homem com quem me relacionei há muitos anos, embora ame também o meu marido. O amor verdadeiro não acaba.”

“Entre namoro, noivado e casamento lá se vão 32 anos que conheço minha esposa. Amo-a muito, mas assim como tudo no mundo, ela não é perfeita. Por isso amo também outras imperfeitas. Elas se complementam.”

“Já passei por esta situação. Ainda passo. Hoje eu sei o meu lugar e até onde posso chegar. Sou casado. Amo minha esposa, mas sinto algo parecido com uma outra mulher.”

Entretanto, nem todos aceitam bem essa prática. Afinal, desde que nascemos, muitas coisas nos são ensinadas como verdades absolutas. Todos os meios de comunicação participam ativamente — televisão, cinema, teatro, literatura, rádio —, sem contar a família, a religião, a escola, os vizinhos.

O condicionamento cultural é tão forte que chegamos à idade adulta sem saber o que realmente desejamos ou o que aprendemos a desejar. Isso ocorre em todas as áreas, portanto, também no que diz respeito ao amor. Fomos estimulados a investir nossa energia amorosa/sexual somente em uma pessoa e a acreditar não ser possível ter mais de um amor de cada vez.

Para quem está vivendo essa situação, surgem muitas dúvidas a respeito dos próprios sentimentos, na mesma medida em que o sofrimento é grande para quem descobre que o parceiro (a) está amando alguém mais.

Ao fazer com que todos acreditem ser impossível amar duas pessoas ao mesmo tempo, o nosso modelo de amor torna inquestionável a conclusão:

“se amo uma pessoa, não posso amar outra” e “se ele ama outra pessoa é porque não me ama”.

Contudo, não duvido de que podemos amar várias pessoas ao mesmo tempo. Não só filhos, irmãos e amigos, mas também aqueles com quem mantemos relacionamentos afetivo-sexuais.

E podemos amar com a mesma intensidade, do mesmo jeito ou diferente. Acontece o tempo todo, mas ninguém gosta de admitir. Há a cobrança de rapidamente se fazer uma opção, descartar uma pessoa em benefício da outra, embora essa atitude costume vir acompanhada de muitas dúvidas e conflitos.

 

Noticias do Poliamor no Brasil

União entre três pessoas foi oficializada no Brasil

Objectivo da união é proteger o direito das três pessoas em caso de morte ou de separação. Duas mulheres e um homem oficializaram a sua união civil em São Paulo

Texto do blog http://p3.publico.pt/ PÚBLICO • 28/08/2012

Duas mulheres e um homem que viviam juntos na mesma casa há três anos formalizaram a sua união civil num cartório do estado de São Paulo, no Brasil. A notária defendeu o direito a reconhecer as três pessoas como uma família.

A decisão da notária Claudia do Nascimento Domingues, do cartório de Tupã, em São Paulo, está a gerar polémica no Brasil. As três pessoas envolvidas recusaram prestar declarações, mas Cláudia Domingues defende que não há nada na lei que impeça a escritura pública de união poliafectiva que foi assinada, ainda que grupos religiosos e vários advogados considerem a decisão “um absurdo”.

Há três anos que aquele homem e duas mulheres partilhavam a casa, as despesas e as contas bancárias, o que não é proibido por lei. Segundo a TV Globo, a união já foi formalizada há três meses, mas só nesta semana foi tornada pública.

Um jurista que ajudou a redigir o documento, Nathaniel Santos Batista Júnior, sublinhou que o objectivo é proteger o direito das três pessoas em caso de morte ou de separação. E Claudia Domingues considerou que esta mudança reflecte o facto de a ideia de família ter mudado, adiantou a BBC.

Polémica instalada

“Estamos apenas a reconhecer o que já existe, não estamos a inventar nada”, disse a notária. “Para o melhor e para o pior, isso não interessa, o facto é que o que considerávamos uma família antes não é necessariamente o que é hoje uma família”.

A advogada Regina Beatriz Silva, presidente da Comissão dos Direitos da Família brasileira, disse à BBC que a decisão é “um absurdo e totalmente ilegal”. E adiantou: “Isto é algo completamente inaceitável que vai contra os valores morais brasileiros”.

Apesar de Claudia Domingues ter efectuado a escritura, não é claro que esta seja aceite pelos tribunais ou por empresas como companhias de seguros, sublinhou a BBC. De acordo com o documento, as três pessoas, cuja identidade não foi divulgada, terão direitos em caso de morte ou separação de uma delas. “Como eles não são casados, mas vivem juntos, existe uma união estável em que são estabelecidas regras para uma estrutura afiliar”, adiantou Claudia Domingues.

“O documento estipula regras que correspondem ao direito patrimonial no caso de uma fatalidade, em que todos se reconhecem como uma família e, dentro do previsto no Código Civil, é estabelecida a forma de divisão do património no caso de um dos parceiros falecer ou num caso de separação”, explicou Nathaniel Júnior. É o primeiro documento do género formalizado no Brasil.

O documento confere direitos no que diz respeito à divisão de bens em caso de separação e morte, mas não garante os mesmos direitos que uma família tem de, por exemplo, receber pensão por morte ou conseguir um empréstimo bancário para a compra da casa. No que diz respeito a filhos, Nathaniel Júnior sublinhou que a escritura não compreende direitos de filiação.